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Cultura

Desfile de talentos marcou penúltima edição de “RicoChoro ComVida na Praça” em 2019

Bastava ler os nomes na divulgação para saber que a edição de RicoChoro ComVida na Praça, sábado passado, 19, a penúltima deste ano, seria um acontecimento imperdível.

Tratava-se de reunir, num dos cartões postais da cidade, uma constelação de talentos que, somados, veio a comprovar o que todos já sabíamos. A atriz Rosa Ewerton, premiada em festivais de cinema aqui e fora do Maranhão, merecia mais um por sua performance no momento poético. Vanessa Serra é a dj do afeto, com sua sequência tocando os corações dos presentes, com suavidade e delicadeza.

O Trítono Trio, com Rui Mário (sanfona), Robertinho Chinês (bandolim de 10 cordas) e Luiz Jr. Maranhão (violão sete cordas) – substituindo o violão de Israel Dantas – confirmou ser um dos mais inventivos grupos de música instrumental do Maranhão, independentemente de seu formato, enxuto.

Um bom público ocupou o Largo da Igreja do Desterro, entre gente que merece a carteirinha de Chorão, curiosos em geral, amigos e namorados que se encontram, ambulantes e toda a fauna responsável pelo sucesso do projeto, patrocinado pela TVN através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão há quatro temporadas.

Mas a noite ainda não estava completa. Depois do set instrumental do Trítono Trio, passeando por clássicos de Sivuca, Jacob do Bandolim e Cesar Teixeira, entre outros, e de um bis de Vanessa Serra, num breve intervalo, era a vez de o grupo receber Célia Maria, diva considerada a voz de ouro do Maranhão.

 

Sempre bem humorada, se equilibrando entre ser uma gigante, ter consciência disso e a timidez de quem sobe ao palco sempre como se fosse a primeira vez, prestou reverências a Antonio Vieira – compositor que completaria 100 anos ano que vem – e Joãozinho Ribeiro – homenageado deste ano de RicoChoro ComVida na Praça, por seus 40 anos de carreira musical –, dois de seus nomes prediletos entre aqueles que lhe fornecem repertório. “Balança Pema” (Jorge Benjor) foi puro deleite.

Não há edição igual a outra, sabe disso quem já acompanhou mais de uma. E engana-se quem pensa que isto – o que já não seria pouco – era tudo. Faltava ainda Cláudio Lima, que na mesma semana havia disponibilizado nas plataformas de streaming o single “Qualhira”, que Zeca Baleiro compôs especialmente para ele, após o cantor ter apresentado o show “Com a lira”, dedicado à luta da comunidade LGBTQI+ por respeito e direitos e contra a violência. (fotos/divulgação/Zegroz Neto)

Foi um momento catártico, em que o próprio cantor convocou a plateia: “quando eu cantar, vocês me chamam de bicha, eu adoro!”, convidou, citando trecho da letra de Baleiro, que equilibra o uso de termos pejorativos com a “luta contra a força bruta” – como diz outro trecho da letra.

Cláudio Lima começou sua apresentação com um set dedicado a Noel Rosa, esbanjando seu talento vocal e encerrou com a apropriada “Bis”, de Cesar Teixeira, que contém o verso-título de seu segundo disco, “Cada mesa é um palco” (2006).

Para quem perdeu esta ou as edições anteriores, a última chance em 2019 será dia 9 de novembro (sábado), às 19h, na Praça Gonçalves Dias (Centro). O momento poético será com Celso Borges, a discotecagem de Joaquim Zion e o convidado é o cavaquinhista baiano Messias Britto, um dos grandes nomes do instrumento no Brasil, que será recebido pelo Quarteto Crivador, formado por Luiz Jr. Maranhão (violão sete cordas), Marquinhos Carcará (bateria e percussão), Rui Mário (sanfona) e Wendell de la Salles (bandolim). Detalhe: toda a programação foi gratuita.

Tags : Rico Choro

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